E você parou na minha porta.
A rua parecia tão molhada e encharcada, com os pingos grossos de chuva que não paravam de cair.
Como você havia sobrevivido àquela noite longa eu não poderia saber, mas ali estava você, miúda e desengonçada, com medo da própria sombra, e mesmo assim, lutando para achar um abrigo.
Eu nem sei mesmo se fui eu quem te encontrou... dizem que são os cachorros que escolhem seus donos... mas, nem em sonho, eu poderia imaginar que meu presentinho apareceria em um dia tão comum e feio, na porta da minha casa.
Me chamando com seu choro para a realidade infeliz do mundo no qual vivemos, um lugar onde é mais fácil adotar o abandono, do que cultivar o sentimento de cuidado e empatia.
Mas sabe, não faz mal, pois tudo está predestinado, e eu acredito que a partir do momento que te recebemos em casa, você se tornou uma das nossas pequenas alegrias todas as manhãs! Na verdade foi você que nos ajudou a enxergar a alegria de ter um animalzinho em casa, lambendo e pulando e movendo o rabinho de felicidade! Felicidade pura é te ter por aqui! Bem-vinda!
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Foto e Texto: Eventual Obra de Ficção |